quarta-feira, 27 de março de 2013

bolor


 Enquanto a reintrepretação lhe foca a atenção, a tensão e a tesão,
 Que não se esqueça que a podridão é inquieta
 E atrai tanto quanto é atraída...
 Sementes cheias de vida e pontos luminosos.
 Inicia-se uma relação de contraste, que anseia pela homogeneidade;
 Porque se diz que é tudo, é nada!
 E se menos com menos, dá mais...

 A passividade e a melancolia ganham alguma coisa,
 Conquistam pedaços indiferentes de contraluz.
 Assim como quando a noite vem,
 E as almas assumem "aquela" liberdade.
 Assim vira o jogo, que se vira bélico, numa decisão consensual
 De tornar podre,
 De escorrer podre,
 De findar podre.

 A indiferença que irrita, é a maior das liberdades.
 Entretanto o cansaço dá à tona, e ela só quer,
 Já nem sequer sendo ela,
 Só quer ser ela, e sair.

domingo, 20 de janeiro de 2013

cretcheu

 Nha cretcheu, mon amour, 
 O nosso encontro vai tornar a nossa vida mais bonita por mais trinta anos.
 Pela minha parte, volto mais novo e cheio de força.
 Eu gostava de te oferecer cem mim cigarros, uma dúzia de vestidos daqueles mais modernos, um automóvel, uma casinha de lava que tu tanto querias, um ramalhete de flores de quatro tostões.
 Mas antes de todas as coisas, bebe uma garrafa de vinho do bom, e pensa em mim. 
 Aqui o trabalho nunca pára. Agora somos mais de cem.
 Anteontem, no meu aniversário, foi altura de um longo pensamento para ti.
 A carta que te levaram chegou bem? Não tive resposta tua. Fico à espera.

 Todos os dias, todos os minutos, aprendo umas palavras novas, bonitas, só para nós os dois.
 Mesmo assim, à nossa medida, como um pijama de seda fina.
 Não queres? Só te posso chegar uma carta por mês.
 Ainda sempre nada da tua mão. Fica para a próxima. Às vezes tenho medo de construir essas paredes. Eu com a picareta e o cimento. E tu, com o teu silêncio. 
 Até dói cá ver estas coisas, mas que não queria ver.
 O teu cabelo tão lindo cai-me das mãos como erva seca.
 Às vezes perco as forças e julgo que vou esquecer-me.
 em Juventude em Marcha