quinta-feira, 12 de abril de 2012

"O cordel entre eles tornou-se incrivelmente longo, tão longo que teve de ser aumentado com muitos outros cordéis atados uns aos outros: o cordel do ioiô dele, o fio de puxar da boneca dela que falava, o cordão que atava o diário do pai dele, o fio encerado que mantinha as pérolas do colar da avó à volta do seu pescoço, impedindo-as de caírem no chão, a linha que havia ajudado a colcha de retalhos da infância do tio-avô dele a escapar de uma pilha de trapos. Encerrado em tudo o que partilhavam um com o outro estava o ioiô, a boneca, o diário, o colar e a colcha de retalhos. Tinham cada vez mais coisas para dizer um ao outro e cada vez menos fio.
"O rapaz pediu à rapariga para dizer 'Amo-te' através da lata, sem lhe dar mais nenhuma explicação.
"Ela não pediu nenhuma, nem disse 'Que patetice!' ou 'Nós somos demasiado jovens para o amor', nem sequer sugeriu que ia dizer 'Amo-te' porque ele lhe pedira. Em vez disso, disse 'Amo-te'. As palavras viajaram através do ioiô, da boneca, do diário, do colar, da colcha de retalhos, da corda da roupa, do presente de aniversário, da harpa, do saquinho de chá, da raquete de ténis, da bainha da camisa dela que um dia ele lhe despira.

 Jonathan Foer, Extremamente Alto e Incrivelmente Perto