sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ham on Rye



It was a joy! Words weren't dull, words were things that could make your mind hum. If you read them and let yourself feel the magic, you could live without pain, with hope, no matter what happened to you. (Bukowski, 1982, p.298)


Ham on Rye é o quarto romance publicado pelo conhecido escritor norte-americano Charles Bukowski (1920-1994). À semelhança de outros, é escrito na primeira pessoa, protagonizado por Henry Chinaski, o alter ego dissimulado do escritor.

Devido a esta característica, a maioria dos seus romances têm um carácter autobiográfico muito presente. Ham on Rye destaca-se, a partir do momento em que a acção recua muito atrás no espaço temporal, remetendo-nos às intensas infância e adolescência de Henry, de tal forma que se torna automática a conclusão de ilações acerca da vida de Bukowski.

Desde a sua dificuldade em tornar-se um ser sociável aos olhos da sociedade, passando pela sua pouca vontade de viver a sua vida, pela discriminação sofrida relativamente ao seu estrato social, até à sua puberdade que o tornou um monstro físico, impedindo-se de sair de casa (este isolamento, que o levou a devorar Oscar Wilde, Tolstói, Dostóievski, Marx, Victor Hugo e muitos outros autores de grande importância no panorama de literatura, despertando este amor que o salvou).

Esta obra é um elogio aos seus leitores aficcionados; os seus leitores feios, porcos e maus, apaixonados pelos seus contextos ordinários, pelas suas cabras de estimação e pelo peso dorido das suas ressacas consecutivas. A verdade é que, faz mais sentido lê-la depois que algum conhecimento anterior da obra e vida do autor ou seja, de alguma ligação parcial com este.

Ham on Rye esclarece. É o tesouro ao esperado depois de um longo, enviesado e involuntário percurso.

A ler.

domingo, 9 de dezembro de 2012

juntos pensamos em divertir-nos. a partir desse instante, tínhamos começado a fazê-lo. como lobos, percorríamos as ruas vazias, cinzentas e escuras. cheirava a frio. cheirava a húmido. os paralelos não nos sentiam. o nosso ritmo suava leve, vicioso. tão naturalmente galopávamos que começámos a contagiar o contexto com a nossa força louca.

o contexto é um gajo estranho.

já há muito que não sentia a Terra suportar a massa de alguém como neste dia. sentia-se grata pela gravidade.

não sei se já passaste por isto, mas naquele momento eu sentia um frenesim no estômago, algo inultrapassável, desumano, até mesmo imortal. qual força da natureza qual quê, nós desafiávamos as forças motrizes em cada movimento.

lindo, genial.

eu sabia que dali, sairia algo grotesco! eu tinha tantas certezas. certezas de costas para o abismo, sabes o que isso é? é adrenalina pura!! é vida, é fogo, é energia ao rubro. particulazinhas aos saltos, todas em atrito unificado.

seguimos as pernas. estas levaram-nos longe. chegamos a um beco estranho e tu disseste:

é agora ou nunca.

ao que eu respondi:

já chegamos, vamos!

freneticamente, começamos rumar ao objectivo. entrámos no estabelecimento e tu pediste uma cerveja morta, como já era hábito. acendi um cigarro, que partilhamos de forma cúmplice. ela estava lá!

olá! por aqui? que surpresa!! sentem-se aqui, estou à espera de um amigo. oh, obrigada, mas estamos só de passagem. mas sentem-se, vá. que bom encontrar-vos, que inesperado! estão por cá de visita? sim. viagem de negócios. e onde estão a dormir?

estavas nervoso! a tua perna não parava de insultar o chão. o teu olhar compenetrante tornou-se plácido e ameno, que inexpressivo.

então que tens feito? ainda dás aulas? sim, mas isto está mau. pois, que raio. vou à casa-de-banho. um minuto.

era a nossa oportunidade. 3, 2, 1. o teu casaco comprido facilita tudo! de facto é um bom acessório, um casaco comprido. acho que toda a gente devia ter um casaco comprido!

bem, nós vamos embora. ai sim? sim, estamos cansados. ok, vemo-nos por aí, talvez vos visite um destes dias. sim, faz isso. beijinhos!

beijinhos.

levaste-me a casa. que cereja perfeita, gordinha e suculenta.

até amanhã!! hoje foi um grande dia. medita.