It was a joy! Words weren't dull, words were things that could make your mind hum. If you read them and let yourself feel the magic, you could live without pain, with hope, no matter what happened to you. (Bukowski, 1982, p.298)
Ham on Rye é o quarto romance publicado pelo conhecido escritor norte-americano Charles Bukowski (1920-1994). À semelhança de outros, é escrito na primeira pessoa, protagonizado por Henry Chinaski, o alter ego dissimulado do escritor.
Devido a esta característica, a maioria dos seus romances têm um carácter autobiográfico muito presente. Ham on Rye destaca-se, a partir do momento em que a acção recua muito atrás no espaço temporal, remetendo-nos às intensas infância e adolescência de Henry, de tal forma que se torna automática a conclusão de ilações acerca da vida de Bukowski.
Desde a sua dificuldade em tornar-se um ser sociável aos olhos da sociedade, passando pela sua pouca vontade de viver a sua vida, pela discriminação sofrida relativamente ao seu estrato social, até à sua puberdade que o tornou um monstro físico, impedindo-se de sair de casa (este isolamento, que o levou a devorar Oscar Wilde, Tolstói, Dostóievski, Marx, Victor Hugo e muitos outros autores de grande importância no panorama de literatura, despertando este amor que o salvou).
Esta obra é um elogio aos seus leitores aficcionados; os seus leitores feios, porcos e maus, apaixonados pelos seus contextos ordinários, pelas suas cabras de estimação e pelo peso dorido das suas ressacas consecutivas. A verdade é que, faz mais sentido lê-la depois que algum conhecimento anterior da obra e vida do autor ou seja, de alguma ligação parcial com este.
Ham on Rye esclarece. É o tesouro ao esperado depois de um longo, enviesado e involuntário percurso.
A ler.
